quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Dia 10# - Sherlock Holmes 2: O Jogo das Sombras



Sherlock Holmes sempre foi o homem mais inteligente do pedaço... até agora. Existe um novo e maior gênio do crime - Professor Moriarty (Jared Harris) - e ele não apenas é igual a Holmes intelectuamente, mas sua capacidade para o mal, aliada a uma completa falta de consciência, podem realmente dar-lhe uma vantagem sobre o famoso detetive.

Quando o príncipe herdeiro da Áustria é encontrado morto, a prova, interpretada pelo Inspetor Lestrade (Eddie Marsan), aponta para suicídio, mas Sherlock Holmes deduz que o príncipe tenha sido vítima de um assassinato – um assassinato que é apenas uma peça de um quebra-cabeça maior e muito mais portentoso, desenhado pelo professor Moriarty. 
Misturando negócios com prazer, Holmes segue as pistas até um clube subterrâneo, onde ele e seu irmão, Mycroft Holmes (Stephen Fry) estão brindando a última noite de solteiro do Dr. Watson. É lá que Holmes encontra Sim (Noomi Rapace), uma cartomante cigana, que vê mais do que diz e cujo o envolvimento inconsciente no assassinato do príncipe faz com que ela seja o próximo alvo do assassino. 
Holmes consegue salvar sua vida e ela, com relutância, concorda em ajudá-lo em troca. A investigação torna-se cada vez mais perigosa a medida que leva Holmes, Watson e Sim através do continente, da Inglaterra para a França, depois para a Alemanha e, finalmente, para a Suíça. Mas o astuto Moriarty está sempre um passo à frente e constrói uma teia de morte e destruição - tudo parte de um plano maior que, se bem sucedido, irá mudar o curso da história. 
A primeira produção dessa franquia, mesmo com sua singularidade, não empolgou os espectadores. Já esta, mostra que os realizadores fizeram seu homework e aprimoraram os erros cometidos na anterior, adicionando mais tempero. A direção deGuy Ritchie imprime maior confiança. Para quem conhece seus filmes de assinatura (como Snatch e Jogos e Trapaças), sabe que o primeiro Sherlock Holmes não fez justiça ao talento e no estilo underground do cineasta. Já neste, Ritchie mostra sua identidade e aplica na narrativa traços dela (narrativas em off, diálogos afinados, montagem linear fragmentada).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dia 9 # - Como água para chocolate

Olá Galera!!!

Nono filme do blog \0// uebaaaaaaa.... amanhã chegaremos ao 10º. Para comemorar a nossa marca de 9 filmes eeeeee hoje vou escrever sobre um filme que eu simplesmente acho FANTÁSTICO!!! "Como água para chocolate". O nome nos sugere um filme doce, não é? Bom dependendo do ponto de vista pode-se dizer que é um filme doce, eu particularmente não acho; se fosse denominar um sabor ao filme seria azedinho... azedinho-doce, acho que fica melhor assim. Nossa que legal seria se pudéssemos atribuir sabor e cheiro aos filmes. (momento devaneio) Vamos ao que interessa.

Como água para chocolate é baseado em um romance de mesmo título escrito por Laura Esquivel, (então mulher do diretor Alfonso Arau), romance esse que se tornou best seller em 20 países, (confesso que ainda não li o livro, mas imagino ser estilo Gabriel García Marquez... este filme que mais se parece com um conto de fadas, repleto de fantasia, onde amor e ódio, abnegação e egoísmo, poesia e praticidade, se compõem numa obra-prima que conquistou o prêmio de melhor filme no Festival de Gramado de 1993 e concedeu a Lumi Cavazos e Claudette Maillé o prêmio de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente.

A história se passa no início do século XX, numa fazenda mexicana, na fronteira com o Texas, Tita (Lumi Cavazos), a quem foi negado o direito de se casar, por ser a filha mais nova, e ter que permanecer ao lado da mãe Elena (Regina Torne) para cuidar dela, vive um amor ardente de paixão, contido, apesar de correspondido, por Pedro (Marco Leonardi), o qual acaba aceitando casar-se com sua irmã Rosaura (Yareli Arizmendi), apenas para permanecer perto da mulher que ama. Tita, que crescera nos braços de Nacha (Ada Carrasco), cozinheira da fazenda, envolta nos aromas mágicos da cozinha, e orientada pela sabedoria desta, desenvolve o dom como ninguém, transpondo para os alimentos todas as suas emoções, e destes, pra os comensais. É o que acontece quando, sem querer, derrama lágrimas sobre a massa do bolo de casamento de Rosaura com Pedro, e causa em todos que o experimentam, além de uma extrema comoção, uma incontrolável ânsia de vomito. Já para as codornas com molho de pétalas de rosa (as quais lhe haviam sido oferecidas por Pedro), Tita transfere toda a sensualidade, no despertar da recordação do grande amor de cada um que se delicia com este prato, que potencializa e exaltação deste sentimento, e faz desabrochar toda a libido. É neste momento que, Gertrudis (Claudette Maillé), contagiada pelo sentimento impregnado no molho, e exalando em toda a sua plenitude o odor das rosas, atrai para si o capitão revolucionário, e foge com ele, para profundo desgosto da mãe, e conquista da sua própria liberdade.
 
Desde os biscoitos de nata, ao “mole” (prato típico mexicano), todos os alimentos são preparados, envoltos num ritual onde a magia do elo alimento/vida, aroma/perfume, sabor/sensação, textura/sensualidade... se exacerba numa magnitude que deleita o paladar da alma.

Eu adoro filmes que envolvam culinária. Amo cozinhar (ok, não cozinho bem, mas mesmo assim amo cozinhar) e acredito muito no poder da energia. Sou do tipo de pessoa que acredita que se eu faço uma comida com amor as pessoas que provarem da comida podem sentir esse amor. Sou completamente apaixonada pelo sabor, aroma, cor do prato e esse filme retrada tudo isso... pudera eu um dia cozinhar igual a Tita...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dia 8 # - A felicidade não se compra.



Salve salve!
Sabe aquele tipo filme que de algum modo você se identifica - e para os chorões como eu – vai derramar algumas lágrimas. Pelo menos foi assim, quando assistir A felicidade não se comprar (It’s a Wonderful Life) do diretor Frank Capra. O filme de 1946, conta a história de George Bayle, um tipo tão sonhador quanto benevolente, que almeja crescer na vida, planejando sair pelo mundo viajando, conhecendo lugares e ajudando a melhorar o mundo com seus projetos de modernas construções. Desde pequeno, George sempre demostrou ter bom coração ao ajudar ao próximo, mesmo inconscientemente, sem buscar nenhum tipo de reconhecimento por isso. E quando adulto, não se opôs a continuar ajudando. Neste momento, cheio de anseios para o futuro, a vida vai lhe trazendo surpresas, impossibilitando de concretizar seus planos, mudando os rumos da sua vida.
Ao reencontrar Mary Hacth, uma jovem que sempre fora apaixonada por ele, desde criança; vai começar a perceber que tal reencontro, vai ser umas dessas mudanças que a vida vai lhe proporcionar. George desiste de sua viagem, quando seu pai falece e passa a administrar a firma da família na pequena cidade de Bedford Falls - financiando casas próprias para pessoas sem tantos recursos, chegando até a não cobrar por juros no pagamento. Isto claro afetava não só a empresa como não era bem visto por seu maior opositor, o capitalista Potter, banqueiro que George confrontou por diversas vezes.
Assim, ajudando aos outros e sentindo sua vida seguir outro percurso, o rapaz casa-se com Mary tendo vários filhos, construindo uma família unida, entretanto vivendo sem grandes luxos, mas feliz de alguma forma. No entanto, um problema financeiro, criado pelo próprio Potter, deixa George na iminência de perder a empresa, atingindo sua reputação perante as pessoas, provocando conflitos inclusive com sua família.
É ai – a meu ver – que começa a parte mais linda da narrativa. O filme além de mostrar várias situações da vida do protagonista, das escolhas que acabou fazendo não por conta própria, mas que lhe foram impostas, e os sonhos que foram ao longo adiados em detrimento de outros. Mostra ainda um momento de fraqueza de George, cujo destino – ou seja, lá o que for – não lhe poupou de sentimentos de desolação e fracasso perante os problemas que não conseguiu resolver, lhe sujeitando a não pensar em outra saída, a não ser, o suicídio.
Ironicamente, até quando ele pretende se matar, não hesita em ajudar o próximo, mesmo sem saber que este próximo é nada mais nada menos que seu anjo da guarda. Clarence é um aspirante a anjo, que para ser de fato precisa conquistar suas asas. E é por meio do desacreditado rapaz que garantirá as suas. Mas isso, não será tão fácil como o atrapalhado anjo pensava. Ao tentar se jogar de uma ponte, George fez aquele que seria seu ultimo pedido: o de não ter nunca existido.

E Clarence aparece justamente para mostra-lo como seria a vida das pessoas sem que ele estivesse existido. É tão comovente ver e ao mesmo tempo se colocar no lugar do protagonista, imaginar que de alguma forma temos sim importância e fazemos a diferença na vida dos outros, sem que tenhamos noção disso. As realidades que o anjo lhe revela – sem sua existência – são as mais tristes. Sua mãe, dona de uma pensão decadente, a cidade em que morava totalmente transformada numa completa bagunça. E Mary, então? Virou uma solteirona infeliz, assim como tantas outras pessoas que tiverem rumos bem diferentes daquele que George conhecia. Foi aí que percebeu a oportunidade impar que teve – a de viver.
Ao ser dada a oportunidade de ter sua vida de volta, ele verá que aqueles em que um dia ajudou, não vão virar as costas a um amigo. E utilizando uma fala do filme “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro", nos faz refletir também sobre a importância de se ter amigos nas horas mais difíceis.

E com isso, A felicidade não se compra revela lições importantes quando aborda de maneira simples e emotiva, os valores que podemos dar a determinadas coisas em nossa vida. Que a amizade, amor, família, são muito mais significativos do que estarmos presos a certas materialidades ou sentimentos mesquinhos como a ambição e ganância. É perceber, que a felicidade de ter uma vida, uma família, amor e claro, amigos verdadeiros... Nenhum dinheiro no mundo pode comprar!

Ah! Eu recomendo!!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dia 7# - Huevos de Oro




Hola, otra vez!
Bom, meu post começa nos primeiros minutos deste novo dia, pois amanhã ficarei ausente do mundo virtual e farei uma visita a minha abuelita. Então deixo aqui meus comentários sobre o segundo filme que assisti em 2012 e o 7º da nossa saga de filmes hahaha


Huevos de Oro 02/01/2012
Eu costumo escolher os filmes aleatoriamente, algo me chama atenção, seja o ator que trabalha nele ou até mesmo um poster e começo a assistir, e mesmo não gostando tanto, eu continuo e tento assistir até o fim. Eu gosto muito do Javier Bardem, vi a grande maioria dos seus filmes. Já me decepcionem com ele em cena em “Comer, rezar e amar” (e dormir) mas tento focar em seus grandes momentos com em “Mar Adentro”, “Onde os fracos não tem vez”, “Biutiful” e o Frei Lourenço de “Los fantasmas de Goya” (ai Natalie Portman!!!), neeeeeem preciso falar de Vicky, Cristina Barcelona (niñata de mierrrrrrda, Maria Elena rules), não é? Pois bem, é somando tudo de bom que eu já assisti, com o senhor Penélope Cruz (hahaha) que assisti “Huevos de oro”, que como eu li, é de 1993. Também já tinha ouvido falar da fama do Bigas Luna, diretor desse filme. Esse é meu primeiro filme dele, então não tenho muito que comentar sobre o que eu penso do estilo do cara. Até porque a gente já disse aqui, que o que fazemos é somente comentar e não fazer uma resenha critica do filme. São apenas anotações de nossas impressões sobre os filmes que TALVEZ vamos assistir... Bardem é o tipico machão, brega (só faltou o óculos e o girassol e temos o Falcão comedor de paella). Tão cafajeste quanto em VCB, só que com aquele ar brega já mencionado. O que mais me tocou e vou comentar pra vocês, são as homenagens que Bigas Luna faz a Salvador Dali e ao Buñuel do curta cão andaluz. Não vou dar spoiler de como é a homenagem, porque quero que vocês me contem o que acharam depois hahaha Eu até gostei do filme, só achei chato a última parte... mesmo com as cenas hots do Benicio del Toro. Fiquei com a música do Julio Iglesias por horas...



Ficha Técnica:


Título no Brasil: Ovos de Ouro
Títulos Alternativos: Golden Balls / Macho / Uova d'oro
Título Original: Huevos de oro
País de Origem: Espanha / Itália / França
Gênero: Drama
Duração: 95 minutos
Ano de Lançamento: 1993
Estúdio/Distrib.: Cult Classic Filmes
Direção: Bigas Luna
Roteiro: Cuca Canals, Bigas Luna
Produtora(s): Antena 3 Televisión, Filmauro S.r.l., Hugo Films S.A., Lolafilms, Lumière, Ovídeo TV S.A.

Dia 6# - A Cor Púrpura



Conheci o filme através de um amigo que me indicou o livro, e logo após de lê-lo veio a curiosidade de ver a adaptação para o cinema, e com o que me deparei? Com uma das mais brilhantes atuações de Whoopi Goldberg ainda novata no cinema. 
O filme não retrata apenas a posição feminina na sociedade, mas sim qual a mudança que uma mulher pode fazer na vida de um homem, dando ele valor a ela ou não. A Cor Purpura conta a historia de Celie, uma moça bastante ligada a sua irmã, que se vê aos 16 anos forçada a se casar com um fazendeiro rico de sua região para salvar a família da miséria. 
Celie vê sua vida mudar completamente ao sofrer os maus tratos de seu marido, que nutria um amor por outra mulher , a corista Shug Avery, que a principio vê em Celie uma rival mas depois percebe a doce mulher que há por trás das marcas surra que Celie trás no rosto. A trama inteira gira no encontro de Celie e sua irmã, e como um elo família é forte o bastante para resistir ao tempo e ao sofrimento. Esse filme encanta pela força, pela respiração firme da personagem principal, personagem que nos carrega por trilhas desconhecidas há conhecer o mundo por outros olhos. 
Além de emocionar, o filme te dá de presente a brilhante interpretação de Margaret Avery da musica “Miss Celie's Blues”, que na minha opinião é a cena mais bela do filme! Vale a pena conferir :





(Reparem nas expressões de Whoopi Goldberg... Perfeitas)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dia 5# O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

"Abençoados os que esquecem"


Quem nunca em um momento de tristeza desejou esquecer tudo? E ao contrário, quem nunca desejou que aquele momento mágico ficasse eternizado??? O filme que escolhi para hoje é um dos meus filmes favoritos. “O Brilho eterno de uma mente sem lembranças”

Na sinopse Jim Carrey interpreta Joel, um marido magoado por sua esposa tê-lo deletado (literalmente) de sua memória. Inconformado, resolve retribuir na mesma moeda e procura o Doutor Howard Mierzwiak para passar pela mesma experiência. No decorrer da operação, Joel percebe que, na verdade, ele não quer excluir Clementine de sua vida, e sim manter bem viva em sua memória os momentos em que estiveram felizes. A partir de então, ele enfrenta uma incrível luta dentro de sua própria cabeça para que essas memórias continuem vivas dentro de si.
Esse filme sempre me chamou a atenção o que faz com que eu o assista várias vezes, já perdi a conta de quantas vezes já o vi. Uma das coisas que mais me atraem no filme é justamente o fato de poder esquecer. Nossa, o quanto seria lindo poder esquecer uma mágoa, uma tristeza, uma desilusão; mas ao mesmo tempo esse esquecer me deixa angustiada (eu e acredito que 99% dos que assistem o filme) a medida em que a vamos vendo que Clementine está sendo apagada da memória de Joel; vamos percebendo também o quão importante ela foi pra ele, ele foi pra ela e o quanto esse relacionamento está tão vivo. É nesse momento que sempre penso “Desejar esquecer algo ou alguém é o mesmo que não viver” sempre penso isso e aí meu desespero começa. A medida em que vou vendo o filme vou me colocando no lugar dos personagens e meu desespero aumenta com o desespero deles; na minha opinião é isso que torna um filme interessante.  O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é daqueles filmes que merecem ter lugar cativo em nossa estante e assistir várias vezes. É também daqueles filmes que nos levam a pensar no que desejamos, se desejamos mesmo o que desejamos ou se  que desejamos é exatamente o contrário do que desejamos. Sacaram???

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dia 4# O segredo dos seus olhos


Salve salve!

Meu primeiríssimo comentário do blog vai para - aaah! - O segredo dos seus olhos (El Secreto de Sus Ojos)do argentino Juan Campanella. Para começar fui pega de surpresa ao assistir o filme, primeiro porque a intenção era assistir outro filme – e que bom que pude assisti-lo – e segundo, porque este filme foi para mim, uma doce surpresa. O filme é baseado no LivroLa Pregunta de Sus Ojos do também argentino Eduardo Sacheri, fala de paixão e tem como pano de fundo, uma investigação sobre o estupro e assassinato de uma jovem professora chamada Liliana Coloto, no contexto da ditadura militar argentina.
Tal assassinato liga de diferentes modos os sentimentos dos principais personagens da trama. É o protagonista, Benjamim Esposito que talvez mais reflita sobre este acontecimento, afinal ele é quem investiga o caso, a procura do assassino. O interessante, é que suas descobertas partem de um olhar. Olhar este que acabou revelando não só uma paixão nutrida por Liliana, mas inclusive o principal suspeito de sua morte. Esposito, ao observar o álbum de fotografias da jovem, acaba percebendo que um rapaz sempre estava olhando para a moça em todas as fotos que pareciam juntos. Assim começa sua procura incessante por Isidoro Gómez.


E misturado à tensão policial, o filme exibe uma paixão contemplativa e doses na medida certa de humor, garantidas principalmente pelo amigo de trabalho e nas horas vagas, bêbado, Pablo Sandoval. É ele que - dentre as muitas reflexões que o filme apresenta – puxa o fio da meada a procura de Gomez. Sandoval nos faz pensar sobre os muitos tipos de paixões que se pode ter, seja por um time de futebol, por um objeto ou uma pessoa, mas que somos todos movidos por algo que momentaneamente nos realiza, que nos marca, nos identifica. E seja qual for à mudança que a vida se encarregue de oferecer, sempre teremos esta paixão, sentida de forma intensa ou escondida, porque, por vezes a tememos.


É o caso da paixão correspondida, embora não concretizada entre Esposito e Irene Hastings – juíza da Corte Penal Argentina - apaixonados a vida toda, sendo através do olhar que puderam manifestar seus mais sinceros e receosos sentimentos. Destaco o personagem de Irene, pois além de ter gostado muito, denota a postura de uma mulher forte, segura e determinada, cuja fragilidade está na espera. Espera que Esposito demostre seus sentimentos e que tenha motivos suficientes para fazê-lo desistir de casar com outra pessoa. No entanto, ele nunca o fez. E quantas vezes nós mesmos não esperamos por uma atitude de alguém? Ainda mais se for uma paixão. É realmente, um filme doce. Doce de se ver.

Para os aflitos – como eu – que desejam que estes sentimentos sejam revelados e consumados, há seu lugar especial na narrativa, seja pela despedida ou reencontro. Paira uma angustia na cena em que Esposito se despede de Irene na estação de trem e ficamos como ela, atônitos e sem acreditar no que vemos. E devemos lembrar que existe um crime e ele se desenrola buscando sua resolução.A trama, não somente se prende nestas nuances amorosas, mas aborda assuntos voltados a injustiça e vingança.

Injustiça que será atribuída à condenação de Gomez pelo assassinato de Liliana - emprestando a velha e conhecida frase brasileira aos argentinos “a justiça é cega” – e pouco tempo Gomez permanece preso, mantendo-se protegido pelo colo da ditadura militar da época.E como não se pode deixar de falar, a vingança, onde o marido da jovem Liliana, Ricardo Moralles, ao longo de quase 25 anos alimenta pela perda brutal de sua esposa, e através de seus diálogos com Esposito, permite que pensemos qual o valor da pena de morte e até que ponto ela pode ser válida para quem condena – no caso o marido - e quem está condenado. Com certeza, sua reflexão sobre o caso, não nos deixa nem perto da surpreendente cena que vamos descobrir juntamente com Esposito, que a paixão pela esposa o fez agir - a sua maneira - da forma que lhe parecia justa lembrar a morte de Liliana.





E assim, ao longo de 127 minutos, somos movidos pela paixão de olhar este filme, nos deparando com reflexões sobre a morte, as paixões de diferentes modos, a vingança que está relacionada as injustiças de uma sociedade que preferia ter um assassino livre a um subversivo politico. E claro, os amores... Que mesmo temido, podem acontecer.

Vale lembrar, que este filme ganhou o Oscar de Melhor filme Estrangeiro em 2010.