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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dia 28# J. Edgar




Salve salve!
O filme que escolhi para comentar é J. Edgar dirigido por Clint Eastwood. O filme é uma cinebiografia do J. Edgar Hoover, um ex-diretor da Federal Bureau of Investigation – a conhecida FBI. A historia mostra a carreira de Hoover – que é interpretado por Leonardo DiCaprio - revelando desde sua intransigência e dureza com todos os inimigos possíveis e impossíveis dos EUA, até sua afetividade com a mãe, assim como um suposto caso homossexual com seu assistente Clyde Tolson – interpretado por Armie Hammer, que além de ser lindo, garante ao lado de Dicaprio cenas muito sensíveis.





Hoover é uma figura relevante para os EUA, pois foi um dos responsáveis pelo surgimento do FBI e por um longo tempo se manteve na liderança de vários casos de investigação. No filme, que transita entre o passado - nas lembranças do diretor - e o presente quando o mesmo relata sua trajetória a um jovem que escreve sua biografia. Como diretor do FBI, sempre demonstrou firmeza com seus opositores, chegando a demitiu algumas pessoas por achar incoerente com o perfil dos profissionais que queria formar na instituição. Admirado, odiado... Hoover, de certa forma deu uma revolucionada no sistema de investigação da policia americana. E o filme, exibe bem isso.





Paralelo a tudo isso, ainda tem a relação com a mãe, que manifesta uma dominação sobre ele, o que acaba implicando em algumas fragilidades de Hoover – que incluem problemas como dançar em público com mulheres e na própria relação com as mesmas, e seu possível relacionamento homossexual. É ao lado de Clyde, que ele mostra algum tipo de sensibilidade. O companheirismo tão evidente entre os dois, a confiança estabelecida e o amor presente, principalmente nas ações de Clyde, me fizeram torcer de cara para que eles ficassem juntos (risos). O que não deixou de acontecer. Uma cena que para mim é linda, é a discursão gerada por ciúmes, aonde ambos chegam até a agressão, mas no final... O amor sempre prevalece... Rsrs.



Vale ressaltar, o trabalho muito bem feito na caracterização dos personagens de Dicaprio e Hammer envelhecidos, assim como Helen, a secretária que o acompanhou ao longo de toda a sua vida e até a morte – vivida por Naomi Watts. Assim, o filme biográfico revela não somente à vida profissional de J. Edgar, mas enfatiza também sua vida pessoal – secreta por sinal - que acaba se confrontando com a figura que ele construiu de si mesmo para a maioria dos americanos. É talvez isso que torne o filme muito interessante!



Vale a pena assistir, recomendo!!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dia 8 # - A felicidade não se compra.



Salve salve!
Sabe aquele tipo filme que de algum modo você se identifica - e para os chorões como eu – vai derramar algumas lágrimas. Pelo menos foi assim, quando assistir A felicidade não se comprar (It’s a Wonderful Life) do diretor Frank Capra. O filme de 1946, conta a história de George Bayle, um tipo tão sonhador quanto benevolente, que almeja crescer na vida, planejando sair pelo mundo viajando, conhecendo lugares e ajudando a melhorar o mundo com seus projetos de modernas construções. Desde pequeno, George sempre demostrou ter bom coração ao ajudar ao próximo, mesmo inconscientemente, sem buscar nenhum tipo de reconhecimento por isso. E quando adulto, não se opôs a continuar ajudando. Neste momento, cheio de anseios para o futuro, a vida vai lhe trazendo surpresas, impossibilitando de concretizar seus planos, mudando os rumos da sua vida.
Ao reencontrar Mary Hacth, uma jovem que sempre fora apaixonada por ele, desde criança; vai começar a perceber que tal reencontro, vai ser umas dessas mudanças que a vida vai lhe proporcionar. George desiste de sua viagem, quando seu pai falece e passa a administrar a firma da família na pequena cidade de Bedford Falls - financiando casas próprias para pessoas sem tantos recursos, chegando até a não cobrar por juros no pagamento. Isto claro afetava não só a empresa como não era bem visto por seu maior opositor, o capitalista Potter, banqueiro que George confrontou por diversas vezes.
Assim, ajudando aos outros e sentindo sua vida seguir outro percurso, o rapaz casa-se com Mary tendo vários filhos, construindo uma família unida, entretanto vivendo sem grandes luxos, mas feliz de alguma forma. No entanto, um problema financeiro, criado pelo próprio Potter, deixa George na iminência de perder a empresa, atingindo sua reputação perante as pessoas, provocando conflitos inclusive com sua família.
É ai – a meu ver – que começa a parte mais linda da narrativa. O filme além de mostrar várias situações da vida do protagonista, das escolhas que acabou fazendo não por conta própria, mas que lhe foram impostas, e os sonhos que foram ao longo adiados em detrimento de outros. Mostra ainda um momento de fraqueza de George, cujo destino – ou seja, lá o que for – não lhe poupou de sentimentos de desolação e fracasso perante os problemas que não conseguiu resolver, lhe sujeitando a não pensar em outra saída, a não ser, o suicídio.
Ironicamente, até quando ele pretende se matar, não hesita em ajudar o próximo, mesmo sem saber que este próximo é nada mais nada menos que seu anjo da guarda. Clarence é um aspirante a anjo, que para ser de fato precisa conquistar suas asas. E é por meio do desacreditado rapaz que garantirá as suas. Mas isso, não será tão fácil como o atrapalhado anjo pensava. Ao tentar se jogar de uma ponte, George fez aquele que seria seu ultimo pedido: o de não ter nunca existido.

E Clarence aparece justamente para mostra-lo como seria a vida das pessoas sem que ele estivesse existido. É tão comovente ver e ao mesmo tempo se colocar no lugar do protagonista, imaginar que de alguma forma temos sim importância e fazemos a diferença na vida dos outros, sem que tenhamos noção disso. As realidades que o anjo lhe revela – sem sua existência – são as mais tristes. Sua mãe, dona de uma pensão decadente, a cidade em que morava totalmente transformada numa completa bagunça. E Mary, então? Virou uma solteirona infeliz, assim como tantas outras pessoas que tiverem rumos bem diferentes daquele que George conhecia. Foi aí que percebeu a oportunidade impar que teve – a de viver.
Ao ser dada a oportunidade de ter sua vida de volta, ele verá que aqueles em que um dia ajudou, não vão virar as costas a um amigo. E utilizando uma fala do filme “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro", nos faz refletir também sobre a importância de se ter amigos nas horas mais difíceis.

E com isso, A felicidade não se compra revela lições importantes quando aborda de maneira simples e emotiva, os valores que podemos dar a determinadas coisas em nossa vida. Que a amizade, amor, família, são muito mais significativos do que estarmos presos a certas materialidades ou sentimentos mesquinhos como a ambição e ganância. É perceber, que a felicidade de ter uma vida, uma família, amor e claro, amigos verdadeiros... Nenhum dinheiro no mundo pode comprar!

Ah! Eu recomendo!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dia 2# - Dúvida

 
No mês de julho, todas as quintas feiras, a comunidade a qual participo realiza um cine clube onde exibimos filmes com temáticas de cunho moral para debatê-los no final de cada exibição, o ultimo filme foi “Dúvida” com a Meryl Streep, no qual interpreta uma freira rigorosa que cuida de um colégio católico com mãos de ferro, e esse foi o filme escolhido por mim para iniciar a minha sessão de filmes aqui no blog.
Eu achei Dúvida um dos filmes mais brilhantes de 2009, não só pela delicada temática, mas pela imparcialidade com que o filme trata o assunto que vem assombrando a igreja católica nos últimos anos, a pedofilia.
Dúvida, como o próprio nome diz, te joga em um emaranhado de incertezas, do qual você tenta sair apoiando-se em um dos lados, porém nenhum dos dois é convincente o bastante. De um lado temos uma Freia durona, carrancuda, conservadora e dotada de uma certeza. Do outro temos um Padre amado por todos, gentil e com idéias inovadoras para a igreja da época.
Ambos se odeiam. Uma acusa, o outro se defende e o espectador é o júri imparcial da trama.
A grande questão do filme paira no próprio julgamento. Quem sou eu para julgar? Quem sou eu para definir o que certo e o que é errado? Ou pior, quem sou eu para definir quem está certo e quem está errado? A medida que o filme ia rolando eu via interrogações brotando na minha cabeça, e essa é graça do filme, pois ele não te dá uma resposta, cada um tem a sua própria versão do final.
Afinal, o Padre legal abusou de garoto inocente? O mesmo Padre que era amável e bondoso com todos? Quem esta acusando? A freira carrancuda e fria que odeia as idéias que o Padre Legal implanta na comunidade?
Há um momento no filme em que a mãe do garoto em questão aparece para gerar mais questionamentos à trama. Ela representa ali todo o perfil sociológico da época, uma mulher humilde e sem apoio que tenta dar ao filho uma chance que ela não obteve, e se mantém omissa ao caso, pois o padre oferece ao filho uma imagem masculina que o mesmo não tem em casa.
Se nem Meryl Streep consegue responder essa pergunta, ela que fez “A escolha de Sophia”, quem sou eu para responder tal questão? Mas a grande cartada do filme não está no certo ou no errado, mas sim no julgamento, nas palavras que proferimos contra o outro, é essa a grande sacada do filme. É como agimos quando estamos cegos por uma certeza que só a nós nos cabe.
Dúvida é um filme excelente na sua simplicidade, um filme sem muita ação, mas que te prende na beleza de seus diálogos bem trabalhados, e na forma como deixa o publico intrigado.  Que nos mostra como é fácil julgar e difícil provar, ou dependendo da sua interpretação, como é fácil fugir e difícil assumir. Cabe a você se enquadra na trama. Só isso.

Trailer Oficial