domingo, 15 de janeiro de 2012

Dia 8 # - A felicidade não se compra.



Salve salve!
Sabe aquele tipo filme que de algum modo você se identifica - e para os chorões como eu – vai derramar algumas lágrimas. Pelo menos foi assim, quando assistir A felicidade não se comprar (It’s a Wonderful Life) do diretor Frank Capra. O filme de 1946, conta a história de George Bayle, um tipo tão sonhador quanto benevolente, que almeja crescer na vida, planejando sair pelo mundo viajando, conhecendo lugares e ajudando a melhorar o mundo com seus projetos de modernas construções. Desde pequeno, George sempre demostrou ter bom coração ao ajudar ao próximo, mesmo inconscientemente, sem buscar nenhum tipo de reconhecimento por isso. E quando adulto, não se opôs a continuar ajudando. Neste momento, cheio de anseios para o futuro, a vida vai lhe trazendo surpresas, impossibilitando de concretizar seus planos, mudando os rumos da sua vida.
Ao reencontrar Mary Hacth, uma jovem que sempre fora apaixonada por ele, desde criança; vai começar a perceber que tal reencontro, vai ser umas dessas mudanças que a vida vai lhe proporcionar. George desiste de sua viagem, quando seu pai falece e passa a administrar a firma da família na pequena cidade de Bedford Falls - financiando casas próprias para pessoas sem tantos recursos, chegando até a não cobrar por juros no pagamento. Isto claro afetava não só a empresa como não era bem visto por seu maior opositor, o capitalista Potter, banqueiro que George confrontou por diversas vezes.
Assim, ajudando aos outros e sentindo sua vida seguir outro percurso, o rapaz casa-se com Mary tendo vários filhos, construindo uma família unida, entretanto vivendo sem grandes luxos, mas feliz de alguma forma. No entanto, um problema financeiro, criado pelo próprio Potter, deixa George na iminência de perder a empresa, atingindo sua reputação perante as pessoas, provocando conflitos inclusive com sua família.
É ai – a meu ver – que começa a parte mais linda da narrativa. O filme além de mostrar várias situações da vida do protagonista, das escolhas que acabou fazendo não por conta própria, mas que lhe foram impostas, e os sonhos que foram ao longo adiados em detrimento de outros. Mostra ainda um momento de fraqueza de George, cujo destino – ou seja, lá o que for – não lhe poupou de sentimentos de desolação e fracasso perante os problemas que não conseguiu resolver, lhe sujeitando a não pensar em outra saída, a não ser, o suicídio.
Ironicamente, até quando ele pretende se matar, não hesita em ajudar o próximo, mesmo sem saber que este próximo é nada mais nada menos que seu anjo da guarda. Clarence é um aspirante a anjo, que para ser de fato precisa conquistar suas asas. E é por meio do desacreditado rapaz que garantirá as suas. Mas isso, não será tão fácil como o atrapalhado anjo pensava. Ao tentar se jogar de uma ponte, George fez aquele que seria seu ultimo pedido: o de não ter nunca existido.

E Clarence aparece justamente para mostra-lo como seria a vida das pessoas sem que ele estivesse existido. É tão comovente ver e ao mesmo tempo se colocar no lugar do protagonista, imaginar que de alguma forma temos sim importância e fazemos a diferença na vida dos outros, sem que tenhamos noção disso. As realidades que o anjo lhe revela – sem sua existência – são as mais tristes. Sua mãe, dona de uma pensão decadente, a cidade em que morava totalmente transformada numa completa bagunça. E Mary, então? Virou uma solteirona infeliz, assim como tantas outras pessoas que tiverem rumos bem diferentes daquele que George conhecia. Foi aí que percebeu a oportunidade impar que teve – a de viver.
Ao ser dada a oportunidade de ter sua vida de volta, ele verá que aqueles em que um dia ajudou, não vão virar as costas a um amigo. E utilizando uma fala do filme “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro", nos faz refletir também sobre a importância de se ter amigos nas horas mais difíceis.

E com isso, A felicidade não se compra revela lições importantes quando aborda de maneira simples e emotiva, os valores que podemos dar a determinadas coisas em nossa vida. Que a amizade, amor, família, são muito mais significativos do que estarmos presos a certas materialidades ou sentimentos mesquinhos como a ambição e ganância. É perceber, que a felicidade de ter uma vida, uma família, amor e claro, amigos verdadeiros... Nenhum dinheiro no mundo pode comprar!

Ah! Eu recomendo!!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dia 7# - Huevos de Oro




Hola, otra vez!
Bom, meu post começa nos primeiros minutos deste novo dia, pois amanhã ficarei ausente do mundo virtual e farei uma visita a minha abuelita. Então deixo aqui meus comentários sobre o segundo filme que assisti em 2012 e o 7º da nossa saga de filmes hahaha


Huevos de Oro 02/01/2012
Eu costumo escolher os filmes aleatoriamente, algo me chama atenção, seja o ator que trabalha nele ou até mesmo um poster e começo a assistir, e mesmo não gostando tanto, eu continuo e tento assistir até o fim. Eu gosto muito do Javier Bardem, vi a grande maioria dos seus filmes. Já me decepcionem com ele em cena em “Comer, rezar e amar” (e dormir) mas tento focar em seus grandes momentos com em “Mar Adentro”, “Onde os fracos não tem vez”, “Biutiful” e o Frei Lourenço de “Los fantasmas de Goya” (ai Natalie Portman!!!), neeeeeem preciso falar de Vicky, Cristina Barcelona (niñata de mierrrrrrda, Maria Elena rules), não é? Pois bem, é somando tudo de bom que eu já assisti, com o senhor Penélope Cruz (hahaha) que assisti “Huevos de oro”, que como eu li, é de 1993. Também já tinha ouvido falar da fama do Bigas Luna, diretor desse filme. Esse é meu primeiro filme dele, então não tenho muito que comentar sobre o que eu penso do estilo do cara. Até porque a gente já disse aqui, que o que fazemos é somente comentar e não fazer uma resenha critica do filme. São apenas anotações de nossas impressões sobre os filmes que TALVEZ vamos assistir... Bardem é o tipico machão, brega (só faltou o óculos e o girassol e temos o Falcão comedor de paella). Tão cafajeste quanto em VCB, só que com aquele ar brega já mencionado. O que mais me tocou e vou comentar pra vocês, são as homenagens que Bigas Luna faz a Salvador Dali e ao Buñuel do curta cão andaluz. Não vou dar spoiler de como é a homenagem, porque quero que vocês me contem o que acharam depois hahaha Eu até gostei do filme, só achei chato a última parte... mesmo com as cenas hots do Benicio del Toro. Fiquei com a música do Julio Iglesias por horas...



Ficha Técnica:


Título no Brasil: Ovos de Ouro
Títulos Alternativos: Golden Balls / Macho / Uova d'oro
Título Original: Huevos de oro
País de Origem: Espanha / Itália / França
Gênero: Drama
Duração: 95 minutos
Ano de Lançamento: 1993
Estúdio/Distrib.: Cult Classic Filmes
Direção: Bigas Luna
Roteiro: Cuca Canals, Bigas Luna
Produtora(s): Antena 3 Televisión, Filmauro S.r.l., Hugo Films S.A., Lolafilms, Lumière, Ovídeo TV S.A.

Dia 6# - A Cor Púrpura



Conheci o filme através de um amigo que me indicou o livro, e logo após de lê-lo veio a curiosidade de ver a adaptação para o cinema, e com o que me deparei? Com uma das mais brilhantes atuações de Whoopi Goldberg ainda novata no cinema. 
O filme não retrata apenas a posição feminina na sociedade, mas sim qual a mudança que uma mulher pode fazer na vida de um homem, dando ele valor a ela ou não. A Cor Purpura conta a historia de Celie, uma moça bastante ligada a sua irmã, que se vê aos 16 anos forçada a se casar com um fazendeiro rico de sua região para salvar a família da miséria. 
Celie vê sua vida mudar completamente ao sofrer os maus tratos de seu marido, que nutria um amor por outra mulher , a corista Shug Avery, que a principio vê em Celie uma rival mas depois percebe a doce mulher que há por trás das marcas surra que Celie trás no rosto. A trama inteira gira no encontro de Celie e sua irmã, e como um elo família é forte o bastante para resistir ao tempo e ao sofrimento. Esse filme encanta pela força, pela respiração firme da personagem principal, personagem que nos carrega por trilhas desconhecidas há conhecer o mundo por outros olhos. 
Além de emocionar, o filme te dá de presente a brilhante interpretação de Margaret Avery da musica “Miss Celie's Blues”, que na minha opinião é a cena mais bela do filme! Vale a pena conferir :





(Reparem nas expressões de Whoopi Goldberg... Perfeitas)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dia 5# O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

"Abençoados os que esquecem"


Quem nunca em um momento de tristeza desejou esquecer tudo? E ao contrário, quem nunca desejou que aquele momento mágico ficasse eternizado??? O filme que escolhi para hoje é um dos meus filmes favoritos. “O Brilho eterno de uma mente sem lembranças”

Na sinopse Jim Carrey interpreta Joel, um marido magoado por sua esposa tê-lo deletado (literalmente) de sua memória. Inconformado, resolve retribuir na mesma moeda e procura o Doutor Howard Mierzwiak para passar pela mesma experiência. No decorrer da operação, Joel percebe que, na verdade, ele não quer excluir Clementine de sua vida, e sim manter bem viva em sua memória os momentos em que estiveram felizes. A partir de então, ele enfrenta uma incrível luta dentro de sua própria cabeça para que essas memórias continuem vivas dentro de si.
Esse filme sempre me chamou a atenção o que faz com que eu o assista várias vezes, já perdi a conta de quantas vezes já o vi. Uma das coisas que mais me atraem no filme é justamente o fato de poder esquecer. Nossa, o quanto seria lindo poder esquecer uma mágoa, uma tristeza, uma desilusão; mas ao mesmo tempo esse esquecer me deixa angustiada (eu e acredito que 99% dos que assistem o filme) a medida em que a vamos vendo que Clementine está sendo apagada da memória de Joel; vamos percebendo também o quão importante ela foi pra ele, ele foi pra ela e o quanto esse relacionamento está tão vivo. É nesse momento que sempre penso “Desejar esquecer algo ou alguém é o mesmo que não viver” sempre penso isso e aí meu desespero começa. A medida em que vou vendo o filme vou me colocando no lugar dos personagens e meu desespero aumenta com o desespero deles; na minha opinião é isso que torna um filme interessante.  O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é daqueles filmes que merecem ter lugar cativo em nossa estante e assistir várias vezes. É também daqueles filmes que nos levam a pensar no que desejamos, se desejamos mesmo o que desejamos ou se  que desejamos é exatamente o contrário do que desejamos. Sacaram???

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dia 4# O segredo dos seus olhos


Salve salve!

Meu primeiríssimo comentário do blog vai para - aaah! - O segredo dos seus olhos (El Secreto de Sus Ojos)do argentino Juan Campanella. Para começar fui pega de surpresa ao assistir o filme, primeiro porque a intenção era assistir outro filme – e que bom que pude assisti-lo – e segundo, porque este filme foi para mim, uma doce surpresa. O filme é baseado no LivroLa Pregunta de Sus Ojos do também argentino Eduardo Sacheri, fala de paixão e tem como pano de fundo, uma investigação sobre o estupro e assassinato de uma jovem professora chamada Liliana Coloto, no contexto da ditadura militar argentina.
Tal assassinato liga de diferentes modos os sentimentos dos principais personagens da trama. É o protagonista, Benjamim Esposito que talvez mais reflita sobre este acontecimento, afinal ele é quem investiga o caso, a procura do assassino. O interessante, é que suas descobertas partem de um olhar. Olhar este que acabou revelando não só uma paixão nutrida por Liliana, mas inclusive o principal suspeito de sua morte. Esposito, ao observar o álbum de fotografias da jovem, acaba percebendo que um rapaz sempre estava olhando para a moça em todas as fotos que pareciam juntos. Assim começa sua procura incessante por Isidoro Gómez.


E misturado à tensão policial, o filme exibe uma paixão contemplativa e doses na medida certa de humor, garantidas principalmente pelo amigo de trabalho e nas horas vagas, bêbado, Pablo Sandoval. É ele que - dentre as muitas reflexões que o filme apresenta – puxa o fio da meada a procura de Gomez. Sandoval nos faz pensar sobre os muitos tipos de paixões que se pode ter, seja por um time de futebol, por um objeto ou uma pessoa, mas que somos todos movidos por algo que momentaneamente nos realiza, que nos marca, nos identifica. E seja qual for à mudança que a vida se encarregue de oferecer, sempre teremos esta paixão, sentida de forma intensa ou escondida, porque, por vezes a tememos.


É o caso da paixão correspondida, embora não concretizada entre Esposito e Irene Hastings – juíza da Corte Penal Argentina - apaixonados a vida toda, sendo através do olhar que puderam manifestar seus mais sinceros e receosos sentimentos. Destaco o personagem de Irene, pois além de ter gostado muito, denota a postura de uma mulher forte, segura e determinada, cuja fragilidade está na espera. Espera que Esposito demostre seus sentimentos e que tenha motivos suficientes para fazê-lo desistir de casar com outra pessoa. No entanto, ele nunca o fez. E quantas vezes nós mesmos não esperamos por uma atitude de alguém? Ainda mais se for uma paixão. É realmente, um filme doce. Doce de se ver.

Para os aflitos – como eu – que desejam que estes sentimentos sejam revelados e consumados, há seu lugar especial na narrativa, seja pela despedida ou reencontro. Paira uma angustia na cena em que Esposito se despede de Irene na estação de trem e ficamos como ela, atônitos e sem acreditar no que vemos. E devemos lembrar que existe um crime e ele se desenrola buscando sua resolução.A trama, não somente se prende nestas nuances amorosas, mas aborda assuntos voltados a injustiça e vingança.

Injustiça que será atribuída à condenação de Gomez pelo assassinato de Liliana - emprestando a velha e conhecida frase brasileira aos argentinos “a justiça é cega” – e pouco tempo Gomez permanece preso, mantendo-se protegido pelo colo da ditadura militar da época.E como não se pode deixar de falar, a vingança, onde o marido da jovem Liliana, Ricardo Moralles, ao longo de quase 25 anos alimenta pela perda brutal de sua esposa, e através de seus diálogos com Esposito, permite que pensemos qual o valor da pena de morte e até que ponto ela pode ser válida para quem condena – no caso o marido - e quem está condenado. Com certeza, sua reflexão sobre o caso, não nos deixa nem perto da surpreendente cena que vamos descobrir juntamente com Esposito, que a paixão pela esposa o fez agir - a sua maneira - da forma que lhe parecia justa lembrar a morte de Liliana.





E assim, ao longo de 127 minutos, somos movidos pela paixão de olhar este filme, nos deparando com reflexões sobre a morte, as paixões de diferentes modos, a vingança que está relacionada as injustiças de uma sociedade que preferia ter um assassino livre a um subversivo politico. E claro, os amores... Que mesmo temido, podem acontecer.

Vale lembrar, que este filme ganhou o Oscar de Melhor filme Estrangeiro em 2010.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dia 3# - 50/50

Apresentação:

Hola! Bom, minha postagem vai começar pelo primeiro filme que eu assisti, ou seja no dia 1°...
então, lá vai :



· Sabe quando você assiste a um filme por tal ator, que você já viu em outro filme e gostou? Bom, foi isso que me levou a escolher 50/50 como o primeiro filme de 2012. Nesse caso, o ator em questão é Joseph Leonard Gordon-Levitt, que só chamou minha atenção em “500 dias com ela”. Mas, ainda assim, para aquele dia, o filme tinha que ser “leve”, pelo menos foi o que eu pensei. Pois tinha acabado de voltar de uma chácara onde passei a noite de réveillon e almoço do primeiro dia do ano. Mas o filme era bem mais denso do que eu tinha imaginado. Com um toque de comédia aqui e ali, o filme tenta tratar de um assunto sério (a descoberta do câncer de Adam) de maneira leve... mas nem sempre consegue. Um dos pontos que me chamou atenção foi quando na conversa dos dois amigos sobre os famosos com câncer, eles começam a mencionar um a um, o diálogo foi aquele típico de humor americano que, muitas vezes quem não entende, não vê graça nenhuma...nem chega a um humor negro, mas quando eles falam “do cara do Dexter” e mencionam o Patrick Swayze, e Kyle (Seth Rogen que já tinha feito "Tá rindo de quê?", com Adam Sandler, nesse mesmo estilo - um drama, ou assunto sério, tentando levar pra comédia.) desconhecia por completo que o ator tinha falecido, aquilo pra mim, não ficou engraçado. Até revendo no trailer a situação "parece cômica" mas dentro do filme não teve o mesmo efeito.
Outro ponto que eu destacaria, seria a atuação da psicóloga... quando ele fica chateado por ser o terceiro paciente de Katie (Anna Kendrick, que eu já tinha visto atuar em "Amor sem escalas"). Um nome de peso do filme é Anjelica Huston, que faz a mãe de Adam e cuida do seu marido que sofre de Mal de Alzheimer. Eu li mais tarde, que o filme conseguia unir o drama e a comédia, mas não acho tudo isso não. Ele tem os seus pontos de bem dramática com cenas que foram meio forçadas para o humor. Um exemplo disso, é no momento crucial para quem tem a doença, que é o de raspar a cabeça e Adam pergunta onde o amigo havia usado a máquina antes... Enfim, tentando não passar muito spoiler e sim tecer comentários sobre o filme, eu posso dizer que o filme é bacana sim e vale a pena. Dizem que o filme é baseado em fatos reais.

50/50


Direção: Jonathan Levine

Gênero: Comédia/Drama

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dia 2# - Dúvida

 
No mês de julho, todas as quintas feiras, a comunidade a qual participo realiza um cine clube onde exibimos filmes com temáticas de cunho moral para debatê-los no final de cada exibição, o ultimo filme foi “Dúvida” com a Meryl Streep, no qual interpreta uma freira rigorosa que cuida de um colégio católico com mãos de ferro, e esse foi o filme escolhido por mim para iniciar a minha sessão de filmes aqui no blog.
Eu achei Dúvida um dos filmes mais brilhantes de 2009, não só pela delicada temática, mas pela imparcialidade com que o filme trata o assunto que vem assombrando a igreja católica nos últimos anos, a pedofilia.
Dúvida, como o próprio nome diz, te joga em um emaranhado de incertezas, do qual você tenta sair apoiando-se em um dos lados, porém nenhum dos dois é convincente o bastante. De um lado temos uma Freia durona, carrancuda, conservadora e dotada de uma certeza. Do outro temos um Padre amado por todos, gentil e com idéias inovadoras para a igreja da época.
Ambos se odeiam. Uma acusa, o outro se defende e o espectador é o júri imparcial da trama.
A grande questão do filme paira no próprio julgamento. Quem sou eu para julgar? Quem sou eu para definir o que certo e o que é errado? Ou pior, quem sou eu para definir quem está certo e quem está errado? A medida que o filme ia rolando eu via interrogações brotando na minha cabeça, e essa é graça do filme, pois ele não te dá uma resposta, cada um tem a sua própria versão do final.
Afinal, o Padre legal abusou de garoto inocente? O mesmo Padre que era amável e bondoso com todos? Quem esta acusando? A freira carrancuda e fria que odeia as idéias que o Padre Legal implanta na comunidade?
Há um momento no filme em que a mãe do garoto em questão aparece para gerar mais questionamentos à trama. Ela representa ali todo o perfil sociológico da época, uma mulher humilde e sem apoio que tenta dar ao filho uma chance que ela não obteve, e se mantém omissa ao caso, pois o padre oferece ao filho uma imagem masculina que o mesmo não tem em casa.
Se nem Meryl Streep consegue responder essa pergunta, ela que fez “A escolha de Sophia”, quem sou eu para responder tal questão? Mas a grande cartada do filme não está no certo ou no errado, mas sim no julgamento, nas palavras que proferimos contra o outro, é essa a grande sacada do filme. É como agimos quando estamos cegos por uma certeza que só a nós nos cabe.
Dúvida é um filme excelente na sua simplicidade, um filme sem muita ação, mas que te prende na beleza de seus diálogos bem trabalhados, e na forma como deixa o publico intrigado.  Que nos mostra como é fácil julgar e difícil provar, ou dependendo da sua interpretação, como é fácil fugir e difícil assumir. Cabe a você se enquadra na trama. Só isso.

Trailer Oficial